Creme para rugas masculino

Uma pele bonita e saudável não é desejo somente das mulheres. Homens de diferentes idades também querem contar com uma pele firme e cheia de vida. Por isso, cada vez mais, o mercado da cosmética masculina conta com diferentes produtos e alternativas para que os homens também possam cuidar da pele do rosto e evitar as rugas.

As linhas de expressão e as indesejáveis rusgas na região dos olhos, na testa e nas áreas próximas a boca também são um problema masculino. As rugas nos olhos dos homens são, é verdade, diferentes das rugas que aparecem nos olhos das mulheres, mas os tratamento para evitar o aparecimento delas e para amenizar a presença destes sinais não são muito diferentes.

Depois dos 35 anos a pele, tanto homens como mulheres, começa a perder brilho e juventude. Por isso, o creme para rugas masculino passa a ser um dos produtos fundamentais para manter a pele do rosto sempre hidratada e prevenir o envelhecimento. Mas existe creme para rugas masculino?

Claro que existem. A procura por cremes para o rosto do homem vem aumentando e os produtos ideias para o tratamento de diferentes problemas também. No caso dos anti-tugas, o ideal é que os cremes contem com os principais ativos para combater as rugas e ainda tenham compostos que hidratem a pele masculina. Creme para o rosto masculino que contam com ativos naturais e que não tenham efeitos colaterais são os mais indicados.

Assim como os creme para as mulheres, os cremes para tratar rugas nos olhos dos homens também devem contar com ácido hialurônico e vitamina C. Estas duas substâncias garantem a hidratação ideal da pele além de:

  • prevenir as rugas
  • preencher a pele
  • suavizar as rugas e linhas de expressão
  • restaurar e regenerar a pele desidratada
  • contar com antioxidantes
  • promover a renovação celular
  • estimular a produção de colágeno.

Os homens também devem estar atentos ao seu tipo de pele antes de começar a usar um creme hidrante, por exemplo. Cada tipo de pele deve contar com nutrientes diferentes e composição que favoreça suas características.

Homens com pele normal devem sempre optar por creme com hidratação que mantenham a pele no seu estado natural e não podem se esquecer de limpar a pele antes de aplicar qualquer tipo de creme. Já homens com a pele do rosto seca devem optar por cremes de hidratação profunda. Este tipo de pele exige cremes mais densos e de mais absorção. Porém os homens com pele olseosa devem ter cuidada. O creme ideal para este tipo de pele deve ser sempre oil free.

Não sabe como aplicar o creme para o rosto masculino? Siga este passo a passo:

  1. limpe a pele com um sabonete neutro;
  2. aplique uma loção adstringente;
  3. aplique o creme. O ideal é fazer movimentos de dentro para fora da face e de baixo para cima no pescoço.

Rugas nos olhos, existe tratamento caseiro?

No caso do homens, assim como das mulheres, a região dos olhos é a primeira a apresentar rugas. O fato de movimentarmos mais esta região faz com que as rugas e sinais de expressão se intensifiquem na área. Mas como tratar as rugas dos olhos? O tratamento mais efetivo e caseiro é aplicando um creme anti-rugas duas vezes ao dia. Pela manhã, depois de lavar bem o rosto, e pela noite, antes de dormir. Este tipo de creme para o contorno dos olhos é de fácil aplicação e previne os famosos pés de galinha, além de ameniza bolsas e olheiras.

Além do uso de cremes para o rosto, os homens devem cuidar de toda a pele de face. Para isso, além de contar com a ajuda de cremes contra rugas e hidrantes, devem tentar:

  • Ter uma dieta e um estilo de vida saudável
  • Evitar o stress
  • Beber sempre muita água
  • Alimentar-se de forma equilibrada
  • Praticar esportes

Se você ainda não encontrou o creme ideal para o seu rosto não desista. O importante é conhecer bem a sua pele para ter mais possibilidades de encontrar o creme hidrante ou anti-rugas certo. Cada pele tem necessidades diferentes e, isso, associado aos seu desejo de uma pele mais bonita e saudável faz com que nem todos os creme sejam ideais para você. Em geral, as opções anti-idade com ácido hialurônico e vitamina C costumam atender às necessidades de diferentes perfis de homens e mulheres, de várias idades. Tenha estas substâncias em mente na hora de comprar um creme anti-rugas, com certeza será mais fácil de escolher!

Os benefícios de usar um creme de pele do pescoço

Aplicar um creme de pele do pescoço para a direita é muito importante para manter a beleza geral do organismo. Quando usar maquiagem, muitas mulheres ignoram a aplicar qualquer maquiagem em seu pescoço. Assim como o rosto, o pescoço também está exposta a muitos elementos prejudiciais, tais como os raios ultravioletas nocivos do sol, vento, poeira, chuvas, e vários tipos de poluições. O pescoço é também um dos primeiros lugares a mostrar os sinais do envelhecimento. Você pode ter visto um número de pessoas que estão lutando com a flacidez da pele, tom de pele irregular, e pele solta. Se yon quer evitar todos esses problemas, a melhor maneira é usar um creme que pode corrigir rugas e melhorar o tom da sua pele na região.

cuidados-com-a-peleTente selecionar um creme de pele do pescoço que contém melhores e altamente eficazes ingredientes naturais, tais como células-tronco, matrixyl, Sesaflash, manteiga de karité e ácido hialurônico. Os cremes pescoço que contêm células-tronco são muito valiosas para reduzir as rugas. Deve notar-se que as células estaminais utilizados em cosmética, tais como creme de pescoço não são as células estaminais embrionárias, mas são colhidas a partir de frutos. As células-tronco do núcleos Apple são considerados os melhores células estaminais. Isso inclui as células-tronco do núcleo de maçã também é eficaz para diminuir a papada ou peru pescoço.

Matrixyl é um lipopéptido potente e tem a capacidade de estimular a produção de colagénio e elastina da pele. Também é útil para diminuir a papada e diminuir as rugas. Esta substância natural é um ingrediente-chave em quase todos os cremes pescoço melhores disponíveis no mercado. É agora amplamente reconhecido como um substituto bem sucedida e segura para preenchedores dérmicos sintéticos e injeções de Botox.

Após o primeiro dia usando o BellaLift comprar, eu fique surpresa com o quão bem eu sentia que minha pele estava.

O Sesaflash pode actuar como um hidratante de profundidade e é útil para restaurar o tom de pele do pescoço natural. Esta proteína de sésamo também pode levantar a pele do pescoço. A manteiga de karité é um hidratante natural eficaz e ajuda Sesaflash para tonificar a pele do pescoço e firmar a aparência do pescoço. Se você usar o Bellalift preço uma vez por dia (como é recomendado), um frasco dura um mês. O ácido hialurônico é uma melhor hidratante natural e pode facilitar a absorção de outros ingredientes do creme de pele do pescoço.

Tente comprar um creme de pele do pescoço que contém todos esses ingredientes naturais poderosos, pois ele pode definitivamente fazer maravilhas para a sua pele do pescoço. Nunca tente comprar um creme para o pescoço, sem fazer a devida investigação. Acima de tudo, antes de comprar, não se esqueça de ler atentamente o rótulo para saber o que os ingredientes chave estão nos cremes É melhor evitar qualquer creme que contém produtos químicos alérgicas e fragrâncias.

Breve histórico e agradecimento

Por Ari Caldeira  
quarta, 17 de janeiro de 2007

Breve histórico e agradecimento

   Me envolvi nesse projeto por volta de julho de 2005, por causa da dor que me causava a tendinite na época, estava muito frio, eu já vinha tendo dores já há bastante tempo, mas o frio piora bem a situação, que tem sabe como é. Procurei na internete alguma solução de teclado ergonômico, já que parar de trabalhar estava fora de cogitação.

   Topei então com o fórum do Nando Florestan sobre teclados Dvorak , que divulgava e estuda o teclado simplificado Dvorak, para adaptá-lo ao nosso teclado ABNT. O pessoal lá discutia 2 implementações do Dvorak para o teclado ABNT: uma, a que aqui no saite se chama BR-Dvorak, que é a mesma disposição do Dvorak para inglês, apenas “encaixada” no teclado ABNT, e outra, que seria a adaptação dos princípios do teclado Dvorak ao português, a ultra-adaptação, a criação do que é hoje o teclado brasileiro nativo.

    Comecei então a me ocupar dessa ultra-adaptação, e usei como referência na época o trabalho dos franceses na criação do teclado Dvorak francês, e também a análise da freqüência das letras no português do Brasil disponível no saite Aldeia Numa Boa, de quem eu também usei a idéia de buscar textos para análise na Biblioteca do Estudante de Língua Portuguesa . Essa primeira versão era interessante, mas ainda não era bem a aplicação dos princípios do Dvorak. Esses princípios eu só consegui entender mesmo quando acessei o saite sobre o teclado Dvorak do Shiar, e de quem eu tirei a idéia de organizar os dados de freqüência de letras somando o uso de cada dedo e de cada mão.

    Também entrei em contato com o prof. José Marcelino Poersch, da PUC-RS em Porto Alegre, que já de 1987 a 1991 se ocupou em criar um teclado melhor adaptado para o português, usando critérios bastante diferentes dos nossos. O trabalho dele está disponível na seção “Língua de Gente”, e foi útil porque corrobora a análise de freqüência que eu realizei, a também a da Aldeia Numa Boa. E também porque me acordou para o que eram digramas e trigramas, e porque eles são importantes na análise da digitação.

    A todos os mencionados acima, ao Nando Florestan, ao Luiz Portella, ao Heitor Moraes, e a todo o pessoal do fórum, agradeço pelo esforço, o tempo e as idéias.

BR-Dvorak – BRDK

Por Ari Caldeira  
segunda, 17 de abril de 2006

Versão padrão para teclados tipo ABNT-2

Este é o teclado Dvorak original para língua inglesa, apenas “encaixado” num teclado ABNT, e no qual eu coloquei os mesmos caracteres disponíveis no Teclado Nativo, usando a tecla AltGr. O trabalho original que deu origem a esta disposição se encontra no Fórum Teclados Dvorak Brasileiros.

Freqüência dos caracteres grafêmicos

Por Ari Caldeira  
sábado, 18 de março de 2006

ANAIS DO XI ENCONTRO NACIONAL DE LINGÜÍSTICA
1988

É proibida a reprodução total ou parcial desta publicação sem referência a este original.

FREQÜÊNCIA DOS CARACTERES GRÁFICOS EM LÍNGUA PORTUGUESA E O TECLADO DE MICROCOMPUTADORES

José Marcelino Poersch
Depto. de Letras, PUC-RS

Através do estudo da freqüência dos caracteres gráficos em língua portuguesa em combinação com o estudo dos reflexos dos dedos na digitação e do esforço para acessar as diversas teclas, são sugeridas mudanças no atual teclado QWERTY de microcomputadores e de outras máquinas eletrônicas de escrever com o objetivo de veicular, na digitação, o máximo de informação com o mínimo de custo.

1 – OS TECLADOS DE MICROCOMPUTADORES

Com o avanço da tecnologia, procuram-se instrumentos cada vez mais perfeitos, mais ágeis e mais fáceis de serem operados. Constata-se que os teclados de microcomputadores, em sua versão padrão, apresentam dificuldades para a produção de textos em português, principalmente no que se refere a caracteres gráficos específicos quais sejam o cedilha e as vogais acentuadas (em número de 12). Diversas tentativas de solução foram propostas, experimentadas e integradas aos editores de texto, programas responsáveis pelos recursos que um microcomputador pode oferecer para editorar um texto.

Uma firma californiana, sediada em Sunnyvale, recebeu da Apple Computer a autorização para produzir o “Diplomata®, programa especial que dota os editores de texto da possibilidade de produzir caracteres específicos de línguas diferentes do inglês. O “Diplomata® consiste num dispositivo eletrônico embutido na unidade central de processamento (CPU) dos microcomputadores Apple IIe, dotando-os, mediante o simples toque de uma tecla, da possibilidade de utilizar, instantaneamente, além do teclado padrão para o inglês (Standard ANSI Keyboard), teclados específicos para a edição de textos em línguas diferentes. A característica básica do “Diplomata® é a sua comutabilidade, qualidade que permite uma conversão instantânea entre dois ou mais conjuntos de caracteres. Esse dispositivo permite gerar todas as letras bem como os demais caracteres gráficos (como sinais de acentuação) mediante o simples toque de uma única tecla e exibi-los no visor com uma forma idêntica àquela com que deverão aparecer na versão impressa.

Analisando esse programa, verifica-se que a distribuição dos caracteres gráficos no teclado apresentam várias falhas ou deficiências. As deficiências do “Diplomata® trouxeram a idéia de proceder a um levantamento criterioso da freqüência dos caracteres gráficos em português para, mediante a eliminação de caracteres desnecessários ou de baixa produtividade na editoração de textos em língua portuguesa, abrir espaço para a inserção de outros caracteres específicos de nossa língua e dispô-los segundo sua freqüência de ocorrência.

Ao lado deste problema, verifica-se um outro: a disposição dos caracteres gráficos num teclado padrão.

Pergunta-se quais foram os critérios que nortearam os engenheiros de máquinas de escrever a distribuir os caracteres gráficos pelo teclado, na forma como eles se encontram atualmente. Sabe-se que essa disposição deve obedecer a certos critérios que levem em conta a distância em que as teclas se localizam dos dedos da mão em seu ponto de repouso, na parte central da segunda carreira de teclas, de baixo para cima, e a energia diferenciada que cada dedo possui. Partindo do pressuposto de que os caracteres mais produtivos devem corresponder às posições mais fáceis de serem acessadas, fácil se torna deduzir que o levantamento de freqüência dos caracteres gráficos muito pode contribuir para a elaboração dessa distribuição.

O teclado de um microcomputador é igual ao de uma máquina eletrônica padrão acrescido de alguns outros comandos. Essa disposição dos caracteres do teclado não foi a primeira a ser elaborada e utilizada e, como as outras disposições, levava em conta a freqüência de ocorrência dos caracteres da língua inglesa. Os outros teclados, contudo, não se perpetuaram porque as letras mais freqüentes e de ocorrência sucessiva (tais como D e E) estavam dispostas lado a lado no teclado e, devido à rapidez de toque dos datilógrafos, as teclas se acavalavam na hora de atingir a folha. Assim, para diminuir a rapidez de toque, bem como para evitar danos às máquinas de escrever, Glidden, Sholes et Soulé, três norte-americanos, separando justamente os caracteres de maior freqüência de ocorrência, criaram o conhecido teclado QWERTY.

Colocam-se, então, duas questões que devem merecer nossa consideração. Como pode um editor de textos para o português bem servir a um digitador se possuir um teclado baseado na freqüência dos caracteres da língua inglesa? E como pode-se aceitar o fato de tais caracteres estarem dispostos de forma a aumentar o espaço de tempo entre um toque e o toque imediatamente seguinte a fim de evitar o acavalamento das teclas, se um microcomputador funciona por impulsos elétricos, independente da seqüência ou proximidade de alavancas mecânicas?

Com base na problemática assim estabelecida supõe-se que o levantamento da freqüência dos grafemas do português, bem como a freqüência dos digramas (seqüência de dois grafemas) pode conduzir-nos à elaboração de uma disposição mais racional ou melhor, mais eficiente do teclado se se fizer corresponder às teclas mais rápidas de serem acionadas os caracteres gráficos mais produtivos da língua, de modo a permitir um ganho razoável de tempo.

2 – ESPECIFICAÇÃO DO PROBLEMA

2.1 – Estabelecimento dos objetivos

O objetivo operacional básico (imediato) é levantar, em textos escritos do português do Brasil, a freqüência dos caracteres gráficos e das digramas em posição inicial, medial e final de palavras.

Os objetivos aplicativos (mediatos) são os seguintes: sugerir mudanças no atual teclado padrão QWERTY de microcomputadores e de outras máquinas eletrônicas de escrever tomando em consideração a redução do esforço e o aumento de rapidez; reanalizar e reavaliar a afirmação de lingüistas que pressupõem que o tipo de texto não constitui variável (interveniente) na freqüência de grafemas e de digramas, visto estes não estarem relacionados com o significado; comparar os dados levantados no português com os dados encontrados em outros idiomas, notadamente no inglês, no francês e no alemão.

2.2 – Formulação das hipótese de trabalho

  1. Os caracteres gráficos em texto de língua portuguesa apresentam percentagens de freqüência diferentes.
  2. O tipo e o tamanho das amostras não influi na distribuição da freqüência dos caracteres gráficos.
  3. Certos digramas são mais produtivos do que outros.

2.3 – Operacionalização das variáveis

A variável independente corresponde aos caracteres gráficos de textos em língua portuguesa, classificados como segue: caracteres grafêmicos, caracteres supragrafêmicos, caracteres intergrafêmicos, caracteres numéricos e outros caracteres.

A variável dependente corresponde à freqüência de ocorrência dos diversos tipos de caracteres. A freqüência relativa servirá para ordená-los, isto é, fornecer-lhes um número de ordem. A ordenação será analisada em diversos agrupamentos os quais serão selecionados de acordo com os objetivos propostos.

A variação interveniente corresponde ao tipo de texto, ao assunto tratado e ao tamanho da amostra. Para calcular a influência dessa variável interveniente, calcular-se-á o coeficiente de correlação dos dados de diversas amostras entre si, tomados dois a dois.

3 – IMPLEMENTAÇÃO

3.1 – Amostragem

O universo da pesquisa inclui todos os textos escritos em Língua Portuguesa no Brasil. Baseado em pesquisas correlatas (Malmberg, 1971); Guiraud, 1959; Herdan, 1966; Miller, 1951, sabe-se que uma amostra suficientemente significativa está por volta de duzentas mil palavras de texto corrido; isso corresponde, aproximadamente, a trezentos e trinta páginas datilografadas em espaço simples, com sessenta colunas. Em termos de caracteres corresponde a um milhão e duzentos mil.

Embora pesquisadores ligados a esse campo, baseados no pressuposto de que os grafemas e suas seqüências diádicas não estão relacionados com o significado, afirmem que não existem variáveis intervenientes a influir no resultado final das freqüências, pretende-se reavaliar essa afirmativa. Para tanto, a amostra global foi constituída de amostras parciais que cobriram os aspectos de: tipologia discursiva, estilo utilizado, assunto tratado, objetivo proposto e autor, entre outros.

A amostra global foi constituída de doze amostras parciais, totalizando 437.719 caracteres; portanto, um terço da amostra prevista acima. Se, no entanto, os coeficientes de correlação apresentados pelas freqüências de cada uma com as freqüências totais forem significativamente elevados, teremos comprovada a suficiência da amostra.

As doze amostras parciais foram as seguintes:

  1. Discurso dissertativo correspondendo a um artigo científico completo;
  2. Discurso literário em verso;
  3. Discurso literário, em prosa, parte final de um texto;
  4. Discurso literário, em prosa, parte inicial de um texto;
  5. Discurso literário, em prosa, parte medial de um texto;
  6. Discurso dissertativo, parte de um texto técnico-científico;
  7. Discurso literário, em prosa, dirigido a leitores infantis;
  8. Discurso descritivo-expositivo, material instrucional (didático), sobre geografia;
  9. Discurso expositivo, amostras feitas com minitextos, abordando os mais variados assuntos;
  10. Discurso narrativo-jornalístico, informativo;
  11. Texto técnico-científico (expositivo), sobre filosofia;
  12. Discurso expositivo de idéias, produção infantil.

3.2 – Preparação do corpus e levantamento de dados

O corpus total foi constituído de doze corpora para atender às explicitações da segunda hipótese. Esse corpus foi digitado num Apple IIe e os dados foram levantados automaticamente, primeiro para cada amostra parcial, depois para o corpus total. Para tanto foi utilizado um programa especialmente elaborado em linguagem C.

3.3 – Tratamento estatístico

Os caracteres gráficos foram subdivididos em cinco categorias: caracteres grafêmicos, caracteres intergrafêmicos, caracteres numéricos, outros caracteres e espaços. Os caracteres supragrafêmicos não são computados nessa relação por se apresentarem acavalados com os caracteres grafêmicos (vocálicos). As freqüências percentuais e absolutas desses caracteres gráficos encontram-se na Tabela 1.

Verifica-se que, entre os caracteres grafêmicos, as consoantes, embora tipicamente sejam mais numerosos do que as vogais (22 para 5), sua ocorrência total somente apresenta uma freqüência de 51,69% contra 48,31% das vogais.

As tabelas 2, 3 e 4, reunidas abaixo, num só quadro, fornecem as freqüências relativas e os respectivos postos dos caracteres grafêmicos, dos caracteres supragrafêmicos e dos caracteres intergrafêmicos.

Estas tabelas bastam, por si só, para confirmar a primeira hipótese: os caracteres gráficos, em textos de língua portuguesa apresentam diferentes percentagens de freqüência. Devido a essa diversidade de freqüências, os caracteres podem ser relacionados em ordem decrescente. Entre os caracteres grafêmicos destacam-se os vocálicos pela sua alta freqüência: A (13,66%), E (12,45%), I (6,71%) e U (4,45%).

Os grafemas consonantais mais freqüentes são: S (7,79%), R (6,59%), N (5,14%), T (4,61%) e M (4,50%). Verifica-se que a freqüência dos grafemas estrangeiros (K, W e Y) é inexpressiva: 0,50%. Convém salientar que os dez grafemas mais freqüentes cobrem 73,37% do total das ocorrências e que os cinco mais freqüentes correspondem a 51,65%, isto é, mais do que a metade de todas as ocorrências grafêmicas.

Para avaliar a segunda hipótese, que pretende verificar a relação entre a distribuição das freqüências e as amostras, calculou-se, inicialmente, a correlação simples entre as freqüências dos caracteres grafêmicos e as amostras, duas a duas.

Os altos coeficientes de correlação evidenciam que a tipologia textual não constitui variável interveniente na distribuição da freqüência, o que queríamos provar. Isso, em outros termos, significa que a amostra global é suficientemente ampla, não necessitando de um corpus mais extenso. A significância desses dados fica abaixo do nível 0,01 visto que o valor crítico para esse nível é 0,48.

Finalmente, resta avaliar a última hipótese; esta se refere às freqüências dos digramas. As tabelas 6, 7 e 8, que nos listam os digramas em ordem decrescente de ocorrência, confirmam a hipótese em referência. Vale a pena observar que o digrama DE ocupa o primeiro posto nas três posições. Verifica-se, outrossim, que os primeiros postos, tanto na posição inicial quanto na medial, são ocupados pelos seguintes digramas: DE, CO, SE, PA, DO, ES, UM, DA. Estes encontros são realmente os mais produtivos. Também chama a atenção o fato de que, entre os encontros consonantais, listam-se os grupos PR, TR, GR, CR, CH, BR, FR, LH, PL, CL, e que estes grupos ocupam postos semelhantes, um em relação ao outro, nas duas posições onde eles têm condições de aparecer: posição inicial e medial. Os únicos grafemas consonantais que aparecem em posição final são: L, S, M, R, N, Z.

4 – DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Embora o objetivo imediato — objetivo satisfatoriamente atingido — não extrapole o plano meramente descritivo, existem diversas contribuições no plano teórico. Será, no entanto, o plano aplicativo que merecerá maior atenção em etapas subseqüentes.

O objetivo imediato, vinculado à primeira e à terceira hipótese foi atingido, como demonstra a análise estatística da distribuição de freqüência. Tanto as freqüências percentuais dos caracteres grafêmicos quanto dos digramas puderam ser devidamente ordenados.

A segunda hipótese — aquela relacionada com a estrutura sintático-semântico-estatística — fornece dados suficientes para atingir o terceiro objetivo mediato. Chegou-se à conclusão de que o aspecto “estrutura textual” não constitui variável interviniente para alterar os dados gerais, no que se refere aos caracteres grafêmicos. Todos os coeficientes de correlação calculados entre os diversos tipos de amostras, dois a dois, apresentam-se muito fortes.

No entanto, chama a atenção o fato de as correlações estabelecidas no plano dos caracteres intergrafêmicos não apresentarem comportamento similar. Foram verificadas correlações moderadas entre algumas amostras. A análise do qui-quadrado mostrou ser significativa a influência do tipo da amostra na distribuição da freqüência desses caracteres. Faz-se, portanto, necessária uma melhor investigação desse campo. Talvez até se consiga encontrar, nos caracteres intergrafêmicos, determinantes capazes de discriminar diversas amostras entre si.

Por outro lado, os dados de freqüência aqui levantados e computados deverão oportunizar a comparação com os dados de freqüência de outros idiomas, dados já amplamente investigados e divulgados para o inglês, o francês e o alemão, entre outros.

Os resultados finais permitem partir para outras investigações e cálculos com os quais poderão ser alcançados os objetivos mediatos: contribuir na solução de problemas relacionados com editores de texto e com a disposição de caracteres em teclados de microcomputadores.

Uma das tarefas centrais será a maneira de aplicar os resultados da freqüência, em conjunção com a facilidade de acessamento dos dados às diferentes teclas, para um reordenamento dos teclados de máquinas eletrônicas de digitação. Além desse estudo de freqüência, com o auxílio de um fisiólogo, deverá ser avaliada a prontidão de reflexos dos diferentes dedos da mão e do esforço exigido aos mesmos para impulsionarem teclas diferentes daquelas onde normalmente se posicionam. Os caracteres mais freqüentes devem ocupar as teclas mais fáceis de serem acessadas; também devem ser tomadas em consideração as seqüências grafêmicas mais freqüentes. A cada letra deve ser fornecido um número de ordem segundo a rapidez com que puderem ser acessadas. Essa rapidez dependerá da capacidade de resposta de cada dedo a um estímulo enviado pelo cérebro e da distância que as teclas se encontram dos dedos escolhidos para acioná-las. No final desse estudo, procurar-se-á uma correlação positiva perfeita entre a freqüência de ocorrência e a facilidade de acessamento. Os caracteres mais freqüentes devem corresponder às teclas mais facilmente impulsionadas de modo a se obter o maior rendimento com o mínimo de custo.

O produto final desta pesquisa servirá de sugestão e não de imposição. Essa nova distribuição, por certo, enfrentará o conservadorismo exiagerado que obstaculiza a promoção dos avanços científicos e tecnológicos no mundo cultural de maneira muito semelhante à lei da inércia que dificulta mudanças de movimento no mundo físico. No entanto, se no dia de amanhã uma pesquisa experimental vier a provar que essa nova distribuição permite formar digitadores mais velozes do que o oportunizado pelo teclado QWERTY, é de se supor que a tecnologia, num futuro não muito distante, veja o alcance desta sugestão e dela faça o devido uso.

5- CONCLUSÃO

O objetivo operacional básico — levantar, em textos escritos em português do Brasil, a freqüência dos caracteres gráficos e dos digramas em posição inicial, medial e final de palavras — foi satisfatoriamente atingido. Foi confirmado que os caracteres gráficos em textos de língua portuguesa apresentam percentagens de freqüência diferentes, que a tipologia das amostras não influi na distribuição dos caracteres grafêmicos e que certos digramas são mais produtivos do que outros.

O atingimento dos objetivos aplicativos constituirá uma etapa posterior, uma investigação e um estudo aditado à presente pesquisa. Nesse estudo deverá receber atenção especial o primeiro desses objetivos: sugerir mudanças no atual teclado padrão QWERTY de microcomputadores e de outras máquinas eletrônicas de processamento de textos (editoração). Para alcançar esse objetivo, os resultados aqui apontados deverão ser cotejados com levantamentos ergométricos — reflexos dos diferentes dedos da mão e quantidade de trabalho exigido para acionar as diferentes teclas do teclado.

BIBLIOGRAFIA

BARRANOW, Ulf Gregor. Perspectivas na contribuição da lingüística e de áreas afins à Ciência da Informação.Ciência da Informação, Brasília, CNPq/IBICIT, 12 (1): 23-25, 1983.

CHERRY, Collin.A comunicação humana. São Paulo, Cultrix, 1971.

COSTA, Miriam Solange. O computador no ensino de línguas: retrospecto e perspectivas.Interação, São Paulo, Difusão Nacional do livro, 3 (18): 17-20, abril 1986.

FEIGENBAUM, Edward and MacCourduck, Pamela.The fifth generation artificial inteligence and Japan’s Computer challenge to the world. New American Library. New York, 1984.

GRUPO EDUCAÇÃO E CULTURA. “O texto perfeito”.Software, Rio, Rio Gráfica, 1984.

“Problemas no teclado”.Chips & Bytes. Rio, Rio Gráfica, 1984.

GUIRAUD, Pierre.Problèmes et methodes de la statistique linguistique. Dordrecht, D. Reibel publishing company, 1959.

HALLER, Johann. “Análise lingüística e indexação automática de textos”.Veritas, Porto Alegre, PUCRS, 31 (123): 393-414, 1986.

HJELMSLEV, Louis.Prolegômenos a uma teoria da linguagem. São Paulo, Perspectiva, 1975.

HERDAN, Gustav.The advanced theory of language as choice and chance. Heidelberg, Springer – Verlag. 1966.

INTERNATIONAL SOLUTION.The Diplomat: installation manual. Fifth edition. Saratoga (Ca), International Solution, 1983.

LEPSCHY, Giulio C.A lingüística estrutural. São Paulo, Perspectiva, 1971.

MALMBERG, Bertil.As novas tendências da lingüística. São Paulo. Nacional, 1971.

MAZZOCO, Alexis (entrevista). “Opportunities for linguistics in the field of computers”.The linguistics reporter. sep. 1979.

MILLER, George.Language and communication. New York, McGrawHill Company, 1951.

POERSCH, José Marcelino. O lingüista e a informática: relato de uma contribuição.I Congresso Brasileiro de Lingüística Aplicada: resumos. Campinas, IEL, 1986.

————.Versão do Diplomata para a língua portuguesa: contribuição da lingüística para a ciência da computação. PUCRS, Centro de Pesquisas Lingüísticas, 1986. Relatório de Pesquisa.

————.Freqüência dos caracteres gráficos em língua portuguesa e o teclado de microcomputadores. Porto Alegre, PUCRS, 1987. Relatório de Pesquisa.

SCHANK, Roger & CHILDERS, Peter.The cognitive computer: on language, learning and artificial inteligence. Menlo Park, Addison-Wesley Publishing Company, 1984.

SERVAN-SCHREIBER, Jean-Jacques (entrevista). Informática e Informação. Veja. São Paulo, Editora Abril, (900): 3-5, 4 dez. 1985.

VISÃO (autor não citado). “Inteligência artificial: o Brasil entra na corrida”.Visão, pág. 34-38, 22 jan. 1986.

VOTRE, Sebastião Josué.Um léxico para cartilha. Rio da Janeiro, Universidade Gama Filho, MEC/INEP, 1983.

ZIPF, G. K.Human behavior and the principle of least effort. Cambridge (Mass.), Addison-Wesley Publishing Company, 1949.

Última Atualização ( terça, 03 de outubro de 2006 )

Creating a Dvorak keyboard

This article explains how to follow some of the principles that guided the creation of the Dvorak keyboard layout, in order to create a keyboard layout adapted specifically for Portuguese, and languages other than English.

Creating you own keyboard layout

Adapting the principles of the Dvorak keyboard to your own language

 I’ll try to summarize here, in a simple step-by-step, how to adapt the principles of the original Dvorak keyboard to create a new keyboard layout the most possible apdapted to type your language, given it is written with an alphabet (not sillabary, not ideographs), whether that alphabet is the latin alphabet, cyrillic, or maybe even the korean alphabet (that yes, is an alphabet, just like our latin alphabet.)

The first thing to do is to understand which are the basic principles that guided the development of Dvorak’s keyboard. The rules applied here are not exactly the same dr. Dvorak followed creating his keyboard, since back then (around 1930) there were no Enter key, neither Backspace, and even the concept of deadkeys for diacritcs like we have today on the ABNT keyboard:

  1. We assume that the typist types using the fingers properly, that is, he touch types, and doesn’t hunt and peck;
  2. From that assumption, we consider it easier to type the letters on the keyboard’s central row, where the fingers already rest by nature in touch typing. Your fingers are already there anyway, you don’t have to make any effort to move your elbows to reach the upper or bottom rows. Following in decreasing order of ease comes the upper row, the bottom row and the number row;
  3. The amount of typing done by each finger has to be proportional to the relative strength of that finger: the stronger, longer and more flexible ones, the middle and the index fingers, should have greater amount of typing than the ring and the little fingers. The little finger should have the least possible amount of typing, especially the right hand one, given that doesn’t overload the remaining fingers;
  4. Dvorak chose the right hand to handle most of the typing, on the argument that most people are righthanded. But this was at the time of typewritters; today, the right hand not only types, but handles the Enter key, the Backspace, the Up-Down-Left-Right keys, the numeric pad, not to mention the mouse. Thinking of that, I thought it would be better to balance evenly, the most I could, the typing between the two hands, and keep that balance slightly inclined to the left hand, since the right hand works more than the left.;
  5. It is easier to type alternating hands; that is, if one touch is made by the right hand, the following should be made by the left hand, and so on. This makes it possible for one hand to type, while the other is free to set up to type the next touch;
  6. When the above principle cannot be applied, that is, when 2 touches have to be typed by the same hand, it is better that those touches:
  • Do not be typed by the same finger;
  • Be typed with an outside to inside movement; the first touch being typed by the little finger, for instance, and the next by the middle finger or the index finger. This kind of movement is the most natural for our hands: try out to tap your fingers on the deskboard; certainly you’ll start by the little finger and finish by the index finger. To do the opposit, start with the index finger and proceed to the little finger is much harder and uncomfortable.

Those are the basic principles, in decreasing orde of importance. Other considerations about the keys’ layout will be made further on this article, with the rise of each problem.

The second thing to do is to choose the text to be analysed. Seek several sources, that sum at least 300,000 words, so that your analyse be more valid, both of statistic’s and linguist’s points of view.

Esse texto, para ser usado no programa de análise de digitação (Dv-Análise) disponível na área de Arquivos para Baixar do saite, deve ser convertido, se for o caso, para texto puro, em codificação UTF-8.

Siga o modelo usado para o português, e altere o código fonte para se adaptar às características e disposição atual da sua própria língua/país. Depois, execute a análise de frequência dos caracteres. Os dados do português usados neste artigo estão todos disponíveis no saite, seja em artigos, ou na área de Arquivos, como planilhas.

Com esses dados, vamos calcular a distribuição de frequência dos caracteres no teclado padrão ABNT, para podermos comparar depois com as várias tentativas de adequação da disposição aos princípios já explicados.

Vemos aqui, claramente, o quanto é irregular a distribuição de frequência dos caracteres da nossa língua no teclado ABNT. O dedo mínimo da mão esquerda, teoricamente o dedo mais fraco da mão mais fraca dos destros, trabalha mais do que o dobro do que o dedo também teoricamente mais forte da mão mais forte, o dedo médio da mão direita: 7,57% contra 15,60%. 106,07% a mais, para ser bem exato. Observemos também o uso das linhas: 45,50% dos toques são dados na linha superior do teclado, outros 18,98% na linha inferior, e 1,18% na linha numérica; 66,80% do total de toques! – nossos dedos repousam sobre o A, S, D, F, J, K, L, Ç, mas é só para descansar, veja lá, não é para trabalhar, não! E ficamos, bem mais da metade do tempo da digitação, coçando e arranhando o teclado. Experimente ficar fazendo esse movimento com os dedos por 1 hora, 2, 8, 12 horas por dia, e veja se você não desenvolve uma tendinite! É, pois é. Depois a culpa é do pobre do digitador, programador, redator, revisor etc., que não fez as pausas, não fez os alongamentos, não tomou os anti-inflamatórios na hora certa, não usou a tala apertada o suficiente e, ainda por cima, tomou leite com manga…

Além dessa análise, da distribuição da frequência pelas teclas, vamos calcular também, com o Dv-Análise, uma série de medidas em relação ao uso do teclado, para a digitação de palavras e de toques 2 a 2. Explico: Dvorak analisou, para a língua inglesa, a digitação de digramas, para o caso do estudo dos movimentos de fora para dentro do teclado. No caso do português, embore fosse possível, não seria o ideal, pois, para digitar, por exemplo, NÃO, teríamos 2 digramas: NÃ e ÃO, mas damos 4 toques no teclado, por isso analisamos: N~, ~A, AO.

Vamos às explicações. Para a contagem das palavras, foram considerados os seguintes caracteres: ABCÇDEFGHIJKLMNOPQRSTUVWXYZ´`~^¨, ou seja, todo o nosso alfabeto, mais os acentos. Para os toques 2 a 2 entraram na conta, além dos já considerados nas palavras, o hífen. Por quê isso? Porque, na contagem das palavras, o hífen foi considerado como separador de palavras, como um espaço em branco ou a pontuação. Se não fosse assim, a lista de palavras mais usadas seria imensa, pois seriam consideradas como palavras diferentes formas como: dar-me, dar-se-lhe-ão, dar-lhe, dar-lha, dar-lho etc. Como foi feita, a contagem considerou as formas: dar, me, se, lhe, lha, lho e ão (eu sei, não é o correto, o certo seria darão, mas o Dv-Análise não faz uma análise gramatical para detectar o raro, diga-se de passagem, fenômeno da mesóclise). Já na contagem dos toques 2 a 2, numa forma como dar-se-lhe-ão, a análise considerou DA, AR, R-, -S, SE, E-, -L, LH, HE, -~, ~A, AO. Por conta desse desmembramento, a análise dos toques 2 a 2 é menos precisa, pois duplica a contagem de várias letras, mas é útil porém, para a avaliação dos toques com a mesma mão, mesmo dedo, movimentos de dentro para fora e saltos de linha. Saltos de linha seria o seguinte: considere a palavra COMO. Para digitá-la, teclamos o O na linha superior, o M na inferior e novamente o O na superior; saltamos a linha central.

Analisando as tabelas, observamos o que já podia ser deduzido, aproximadamente, da imagem da distribuição da frequência: desproporção total entre o que a lógica e o bom-senso nos dizem que deveria ser o digitar, e o que a disposição atual nos proporciona. 65,03% dos toques necessários para escrever as palavras analisadas são dados fora da linha central (olha a coceira!); 61% dos toques são dados em seguida com a mesma mão, quer dizer, alternância entre as mãos muito pequena, e a maioria, embora a análise não mostre isso, dados com a mão esquerda, já que ela é responsável por praticamente 60% dos toques. E, veja que interessante, os coitados que tiveram que digitar os textos analisados andaram aproximadamente 43 Km com os dedos. Lembram da mãozinha do filme "A Família Adams"? Imagine que a tal mãozinha andou 43 Km. Pois foi isso o que aconteceu com quem digitou os textos. Vá lá, a mão esquerda andou 25,8 Km e a direita 17,2 Km, respeitando a proporção entre as mãos.

Agora que nós já temos uma primeira análise para comparar o desempenho das nossas tentativas de melhorar a disposição do teclado, façamos o segundo passo, a primeira redistribuição das teclas, mais ou menos como mostrado abaixo.

Observe aqui não só a redistribuição das letras em ordem de frequência, mas também a separação das vogais todas à esquerda, bem como a pontuação. Isso é proposital, para atingir o princípio da alternância entre as mãos, e também para formar "blocos" mais ou menos consistentes de teclas agrupadas por "tipo" (vogais, consoantes, pontuação etc.), o que facilita a memorização das posições das teclas (consistência). Infelizmente, não é possível, nos teclados como são hoje, colocar toda a pontuação junta, então nós nos concentramos nos sinais mais usados, no caso do português: , . – ; /(?). Observe também o deslocamento das teclas , [, ], ‘ e =. Os colchetes foram colocados lado a lado, como já o são os parênteses e os sinais < e >. As aspas foram para uma posição privilegiada em relação a sua posição anterior. Veja também que os posições mais difíceis (os dedos se "esticam" e os pulsos e cotovelos se torcem para alcançá-las) ficaram com as letras "estrangeiras": K, W e Y. O motivo pelo qual eu optei por colocar o W na linha superior foi o uso que se faz dele nos endereços da internete. O K ficou onde ficou por puro capricho, pois se ele trocasse de posição com o Y não faria a mínima diferença para a digitação em português.

Vejamos agora como fica a distribuição da digitação nessa primeira redistribuição.

Vemos que a mera distribuição das letras, respeitando a separação entre vogais e pontuação de um lado, e consoantes do outro, e colocando as letras mais usadas na linha central, seguindo o princípio da força dos dedos, já muda bastante a distribuição da frequência dos caracteres pelo teclado, e para melhor, como vamos ver. De imediato notamos que a linha central, de apenas 33,20% dos toques, passou para 73,25%, um aumento de 120,63%. Nada mau. Vemos também que a distribuição da carga entre os dedos está mais equilibrada, aumentando gradualmente acompanhando a força relativa de cada dedo, embora não perfeitamente. E a coceira? Caiu de 66,80% para 26,75% – queda de 59,96%. Poderíamos listar todas as nuances provocadas pela nossa primeira redistribuição, mas então a nossa curiosidade em ficar comparando as duas imagens já não ficaria tão aguçada, não?

Agora, às medições das palavras e dos toques.

Vemos aqui, de pronto, as melhoras: a redistribuição de carga quase perfeita entre as mãos, a redução, drástica em alguns casos, de todos os fatores analisados. O uso da linha central mais que dobrou, o da linha inferior caiu pela metade, e o da linha superior reduziu-se a menos de 1/3 da quantidade anterior. Vemos também o benefício da separação de vogais e consoantes, o uso da mesma mão para digitar pelo menos 2 caracteres em seguida caiu bastante, assim como os toques de dentro para fora, tão antinaturais. E o atletismo digital, o salto de linhas, esse também diminuiu mais de 6 vezes.

Vemos também que ter tirado o hífen e as aspas da linha numérica fez com que ela fizesse juz ao nome: lá, praticamente, só se digitam os números, afora o ponto de exclamação e os parênteses.

E chegamos agora à parte difícil da nossa tarefa: a partir daqui não há regras simples e fixas, que se aplicadas vão resultar na melhor adaptação possível do teclado. Foram necessários várias tentativas e comparações, analisando com cuidado a lista de toques 2 a 2, a lista de palavras mais usadas, a distribuição de frequência entre os dedos, tudo de uma vez só. Talvez seja possível melhorar ainda mais, mas esse foi o meu melhor.

Começo a explicar pelo mais simples de ser explicado: a inversão do /(?) com o – foi sugestão do Nando Florestan, que, acertadamente, disse que no dia-a-dia usamos muito mais o ponto de interragação, ao escrever mensagens de correio eletrônico ou nos bate-papos dos mensageiros instantâneos, do que o hífen. Também explica-se a presença forte do hífen nos textos analisados pelo uso grande de ênclises e mesóclises, coisas que substutuímos normalmente por construções mais simples, especialmente as mesóclises.

Quanto ao acentos, a inversão se explica pelo fato de que o acento agudo ocorre sobre todas as vogais, enquanto o til só ocorre sobre A ou O. Mantendo o acento agudo na linha central, é possível escrever 2.548 palavras diferentes sem usar nem um toque nas outras linhas. Com o til, esse número cai para 2.341. Um outro motivo foi também a posição do N, achei o movimento para digitar N e depois o til mais confortável com o til na linha superior, do que com o til logo ao lado do N na linha central. Na linha superior, na posição em que ficou o til, a tendência é movimentar menos o pulso, fazer um movimento mais largo, do que torcer a mão para alcançar a tecla onde ficou o acento agudo.

A posição trocada do E com o O foi para não deixar o dedo indicador trabalhar "demais", e também por que o digrama UE é bastante frequente, e digitar as duas letras com o mesmo dedo, ainda mais com um movimento de dentro para fora, me pareceu desconfortável. O mais correto, nesse caso, teria sido colocar o U no lugar do I, mas isso iria piorar a distribuição da digitação entre os dedos, que é uma regra que eu considerei superior à regra do movimento de fora para dentro.

Os casos das consoantes são os seguintes: N foi para o mindinho porque, na lista de toques 2 a 2, as posições mais frequente de digrama de N com outra consoante são NT e ND, logo o N foi para a direita. O D então eu optei por colocar sob responsabilidade do indicador, pois o digrama mais frequente em português é DE, assim o DE, DA, DO ficaram bem fáceis de digitar. O R, por fim, veio ficar na tecla vaga que sobrou desse rearranjo.

Quanto à linha superior, eu notei que os dedos que a alcançam com o menor esforço são o dedo médio e o anular. Pode ser que eu tenha achado isso porque sou homem, vi um documentário outro dia que dizia que os homens têm o dedo anular maior ou do mesmo tamanho que o indicador, por causa da exposição à testosterona ainda no útero. Mas as mulheres que testaram a disposição também acharam mais fácil alcançar a linha superior com o anular do que com o indicador. Assim, o C trocou de lugar com o L.

Outra inversão foi a do Ç com o X: estava achando estranho esticar o dedo para alcançar o Ç na antiga posição do T, e troquei então com o X, a letra menos usada em português. Interessante também do ponto de vista dos toques 2 a 2 é que o X é mais frequente na combinação EX, logo o X ali contribuiu para a diminuição dos movimentos de dentro para fora. O Ç onde ficou teve pouca influência sobre esse quesito, já que ele ocorre principalmente antes do til.

Voltando à mão direita, passei a observar a digitação da linha inferior. A posição do V achei que não estava boa, as duas melhoras posições na linha inferior são onde estavam o Q e o H. O Q merecia ficar onde estava, por conta da frequencia do QUE, numa posição confortável de alcançar. O V então veio para o lugar do H, e H no lugar do V. Depois de um tempo, achei que o F não estava num lugar tão bom, o pulso se torce para alcançar a posição onde ele estava. Tinha que trazer inverter sua posição com outra letra, menos frequente. Observando a lista dos toques 2 a 2, comparando o uso das consoantes menos usadas, verifiquei que os digramas mais frequentes com a letra Z eram EZ e ZE, provavelmente por causa da conjugação do verbo FAZER. E que inverter o Z com o F não era bom negócio, pois o F é mais usado nos digramas FI, FA e FE. Colocar o F no lugar do Z teria aumentado a frequência de toques de dentro para fora, mais do que deixar o Z onde estava. O G também não ficou bom, testei a combinação H, F, Z, com o G onde estava o Z. Parti então para o H. O H é usado mais frequentemente dos digramas LH, CH, NH, logo, forte candidato a ir para a mão esquerda. Resolvi então, já que o H é bastante frequente, colocá-lo na linha superior da mão esquerda, desci o B no lugar do Z, e puxei o G e o F para a esquerda.

Vejamos agora a análise da digitação. Essa análise, na verdade, foi feita várias vezes durante o processo descrito mais acima, aqui vai somente a análise da versão final da disposição.

Observando essas tabelas, pode-se confirmar o benefício da troca de mãos entre o H e o Z: o uso da mesma mão para 2 toques seguidos caiu praticamente 3%, e os saltos de linhas, que eram culpa principalmente do CH e do LH, particamente desapareceram; também o benefício da inversão do E com o O: menos 19% de toques com o mesmo dedo.

É isso, fica aqui o meio passo-a-passo, meio história, de como adaptar os princípios do teclado Dvorak a outras línguas. Até que, com o português, não foi tão difícil. Língua mais consonantais podem ter mais dificuldade em fazer a adaptação, eu imagino. Mas não é impossível não chegar a um resultado melhor adaptado do que a disposição QWERTY.

Versão Esperanto

Por Ari Caldeira  
terça, 04 de abril de 2006

Estas variantes são para os esperantistas que escrevem bastante em Esperanto, e querem poder escrever as letras acentuadas mais rapidamente, sem ter que usar o método tradicional, de acento+letra, ou mesmo a tecla AltGr.

Versão Internacional

Por Ari Caldeira  
segunda, 17 de abril de 2006

Versão padrão para teclados tipo Internacional (Estados Unidos)

   Estas variantes são para quem tem um teclado padrão internacional (estadunidense) e gostaria de usá-lo como se estivesse usando um Teclado Nativo.

    A idéia era usar basicamente a mesma disposição do BR-Nativo para o teclado ABNT, para usar no meu notebook, que tem um teclado estadunidense comum, assim eu não precisaria ficar lembrando que a posição dos acentos seria diferente nas duas disposições. Repare em cinza-claro as teclas originais dos acentos no teclado internacional.

Mais rápido ou mais confortável?

Por Ari Caldeira  
sexta, 30 de junho de 2006

Teclado mais rápido ou mais confortável? Por que não adotar o Dvorak estadunidense de imediato? 

Este artigo é uma resposta a um emeio que recebi hoje, analisando que o teclado Dvorak estadunidense teria sido criado para aumentar a velocidade de digitação, e questionando se a pura adoção do padrão Dvorak norte-americano já não traria benefícios suficientes.

Cláudio e Nelson,

Obrigado pelo interesse no Teclado Nativo!

Nelson, o teclado Dvorak estadunidense é muito bom, para quem escreve em inglês. Veja a seguinte referência: shiar.org/happy/txts/dvorak.php

Você nota que o arranjo do Dvorak para o inglês obedece regras que vão além de permitir que se digite mais rápido. Digitar mais rápido não é o objetivo do Teclado Nativo, ao menos não o primordial.

Rapidez não é conforto. O Dvorak padrão inglês tem 2 sérios problemas para quem escreve em português, na minha opinião, no quesito conforto: a vogal mais usada, o A, que corresponde a 14% da digitação em português, e a consoante mais usada, o S, que corresponde a 7%, estão ambas com os dedos mínimos! Isso pra nossa língua é um crime! :-)

Veja que no inglês, o A corresponde a só 7% e o S, 5%; o T é a consoante mais usada no inglês, e o E a vogal. Se o objetivo é trazer mais conforto e aliviar o estresse e o esforço da digitação, seria lógico colocar as letra mais importantes e usadas em posições consideradas desconfortáveis, com o dedo menos ágil de todos, e deixar posições privilegiadas com teclas que não são tão usadas? Conheço gente que fica com o dedo mindinho da mão esquerda simplesmente travado após muito tempo de digitação. Por que será, não? Será que o Dvorak estadunidense resolveria esse problema em particular?

Na história da escrita, o meio disponível para se escrever em muitos casos, se não em todos, determinou o formato das letras, a direção da escrita e assim por diante, sempre constringindo a manifestação escrita da língua às limitações do meio para se escrever. Pela primeira vez na história, desde a criação da escrita como entendemos hoje (letras, e não desenhos pura e simplesmente), pode ocorrer o contrário: o meio ser adaptado à língua, a ainda por cima num momento histórico em que esse meio de escrita, o teclado, causa literalmente uma epidemia (procure no google: rsi epidemia ou epidemic, verá quantas referências há, e observe os países de origem dos artigos) de casos de LER.

Buscar incentivar o Dvorak só pela facilidade da existência do driver, ou porque ele por si só já é mais rápido, é ignorar que uma das maiores causas de afastamento por doença de trabalho hoje em dia é a LER, e que boa parte desses afastamentos é causado pelo uso do teclado de maneira ineficiente, pelo próprio desenho do teclado. Quanto custa isso pro INSS? Somente aumentar a velocidade, sem levar em conta o conforto, aumentaria ou diminuiria os casos de afastamento por LER? Quanto vai custar pro nosso bolso, que somos nós que pagamos a conta do INSS, daqui a alguns anos, quando uma parcela ainda maior da população, maior ainda do que hoje, trabalhar o dia inteiro exclusivamente na frente de um computador? Quanto issa já não há de custar hoje?

Mais rapidez e produtividade seria ótimo, mas e a qualidade de vida? O contexto corporativo, onde rapidez e produtividade são tão importantes, não é o único em que o teclado é usado. E as escolas? Já pensou que todas as terminações verbais do português podem ser escritas pela linha central do Teclado Nativo, exceto pela letra V (salvo engano)? E o valor propedêutico, não seria levado em conta? Usar a ordem das vogais no Nativo para ensinar o que é um ditongo crescente, ou decrescente? O grau de abertura das vogais? Pode haver uma infinidade de maneiras de usar o teclado adaptado ao português para ensinar melhor o português, basta conhecimento e pesquisa.

Sobre os benefícios do Teclado Nativo para a digitação em português, leia com calma o artigo Criando um teclado Dvorak , e você vai ver todos os quesitos que foram levados em questão na criação do Nativo. Você vai ver que a velocidade da digitação não foi levada em consideração; ela é um efeito colateral benéfico, advindo principalmente da separação das vogais e consoante em mãos diferentes.

E por fim, não me faz sentido dizer: vamos adotar o Dvorak estadunidense, porque já é padrão. Padrão onde? Padronizado, sim, mas padrão, não. Só porque o driver já vem com o Windows? No Brasil, onde a maioria da população ainda não tem acesso a computadores, e muita gente nunca nem viu um teclado, a troco do quê criar um grupo para incentivar o uso de um teclado que não é adaptado à nossa realidade?

Um forte abraço!
Última Atualização ( quarta, 17 de janeiro de 2007 )

PT-Nativo padrão

Por Ari Caldeira  
terça, 18 de abril de 2006
Índice de Artigos

Versão padrão para teclados de Portugal

Veja na página seguinte quais caracteres podem ser obtidos usando a tecla AltGr. O objetivo é que, através da tecla AltGr, possamos usar o mesmo teclado Nativo para escrever no maior número de línguas possível, e assim estimular em todos o gosto pelo aprendizado das línguas, incentivar a tradução de obras em português para outros idiomas, e também icentivar mais estrangeiros a aprender o português, já que eles poderiam usar o teclado Nativo para escrever em português e na sua língua nativa. É também um meio de estimular, entre os falantes do português, a consciência dos seus direitos linguísticos.